Sintomas de Depressão: Como Reconhecer e Quando Pedir Ajuda
O termo depressão é utilizado no quotidiano para descrever momentos de tristeza ou desânimo. Mas a depressão clínica é muito mais do que isso. A depressão é uma perturbação mental séria, que pode ser altamente incapacitante e que requer tratamento especializado.
Reconhecer os sinais e sintomas da depressão é o primeiro passo para pedir ajuda. Neste artigo explicamos o que é a depressão, quais os sintomas depressivos mais comuns, quais os fatores de risco, e como o tratamento da depressão com psicoterapia pode ajudar.
O Que é a Depressão?
A depressão é uma perturbação mental caracterizada por um conjunto de sintomas que afetam o humor, o pensamento, o comportamento e o funcionamento físico de uma pessoa. A depressão é uma perturbação depressiva reconhecida pela Organização Mundial de Saúde como um dos principais problemas de saúde a nível global, com elevada prevalência em todos os grupos etários, incluindo crianças e adolescentes.
De acordo com a Organização Mundial, a depressão afeta mais de 280 milhões de pessoas em todo o mundo. Em Portugal, estima-se que uma em cada cinco pessoas desenvolverá depressão ao longo da vida.
O termo depressão abrange vários tipos de depressão, incluindo a perturbação depressiva major, a distimia e outros episódios depressivos com características específicas. A depressão grave, também chamada depressão clínica, é a forma mais incapacitante e a que requer tratamento mais estruturado.
A depressão pode ser confundida com tristeza normal ou com o luto, mas distingue-se pela intensidade, duração e impacto no funcionamento social ou ocupacional. Um episódio depressivo major implica a presença de um número de sintomas específicos durante pelo menos duas semanas, com sofrimento clinicamente significativo.
Sintomas de Depressão
Os sintomas de depressão abrangem dimensões emocionais, cognitivas e físicas. A presença dos seguintes sintomas, de forma persistente durante a maior parte do dia e quase todos os dias, durante pelo menos duas semanas, pode indicar um episódio depressivo.
Sintomas Emocionais e Cognitivos
O humor deprimido é o sintoma central da depressão. A pessoa com depressão sente tristeza profunda, vazio emocional ou desesperança, que pode não estar relacionada com nenhum acontecimento externo identificável.
A perda de interesse ou prazer em atividades que antes eram gratificantes é outro dos critérios nucleares. A diminuição do interesse ou prazer em todas ou quase todas as atividades durante a maior parte do tempo é um sinal de alerta importante. Esta perda de interesse ou prazer pode afetar relações sociais, hobbies, trabalho e outras áreas antes significativas para a pessoa.
Outros sintomas depressivos emocionais e cognitivos incluem sentimentos de tristeza, culpa excessiva ou inapropriada, baixa autoestima e dificuldade em reconhecer as próprias capacidades, dificuldade de concentração e de tomada de decisões, pensamentos de morte e ideação suicida.
A ideação suicida, que pode variar desde pensamentos passivos sobre a morte até um plano específico para cometer suicídio, é um sintoma grave que exige avaliação e intervenção imediata por um profissional de saúde. Se tu ou alguém próximo está a ter estes pensamentos, procura ajuda de imediato.
Sintomas Físicos
A depressão não é apenas uma perturbação do humor. Os sintomas físicos da depressão são frequentes e podem ser os primeiros a surgir ou os que mais incomodam a pessoa.
Os sintomas físicos mais comuns incluem alterações do sono, como insónia ou hipersónia, alterações do apetite com perda de peso ou aumento de peso, fadiga e falta de energia persistentes, lentificação psicomotora ou agitação, dores de cabeça, dores musculares e outras queixas físicas sem causa médica identificada, e diminuição do interesse ou prazer em atividades físicas.
A presença de sintomas físicos persistentes sem causa orgânica identificada é frequentemente um sinal de que os sintomas presentes podem estar atribuídos a outras causas que merecem avaliação, incluindo causas de natureza emocional ou psicológica.
Tipos de Depressão
Existem vários tipos de depressão com características específicas. Os mais comuns incluem:
Perturbação depressiva major — caracterizada por episódios de depressão grave com impacto significativo no funcionamento diário. O diagnóstico de depressão major requer a presença de pelo menos cinco sintomas durante um episódio depressivo de duas semanas, incluindo obrigatoriamente humor deprimido ou perda de interesse ou prazer.
Distimia — ou perturbação depressiva persistente, é um tipo de depressão crónica de menor intensidade mas com duração prolongada. A pessoa pode funcionar no dia a dia, mas mantém sintomas depressivos durante anos.
Depressão pós-parto — afeta algumas mulheres após o nascimento de um filho. Pais e parceiros podem também sofrer de depressão no período pós-natal, embora com menor frequência. Requer atenção especializada.
Depressão sazonal — está associada a variações de luz ao longo do ano e tende a surgir nos meses de outono e inverno.
Causas e Fatores de Risco da Depressão
As causas da depressão são multifatoriais. Não existe uma causa única, mas um conjunto de fatores biológicos, psicológicos e sociais que interagem e influenciam o risco de desenvolver depressão.
Os fatores genéticos têm um papel relevante: familiares de primeiro grau de indivíduos com depressão têm maior risco de desenvolver a perturbação, estimado em risco 2 a 4 vezes superior ao da população geral. O primeiro grau de indivíduos com depressão inclui pais, irmãos e filhos.
Os acontecimentos de vida adversos, como perdas, trauma, abuso, isolamento social ou dificuldades financeiras prolongadas, são fatores de risco importantes para o desenvolvimento de depressão. O grau de exposição a acontecimentos de vida stressantes, combinado com vulnerabilidade individual, influencia significativamente o risco.
Outros fatores de risco incluem doenças físicas crónicas, como doenças cardiovasculares e outras condições médicas que afetam o funcionamento diário, perturbações de ansiedade coexistentes, baixa autoestima e padrões de pensamento negativos enraizados.
O estigma associado à depressão é ainda um dos principais obstáculos à procura de ajuda. Muitos indivíduos com depressão não procuram tratamento por sentirem que os sintomas são uma fraqueza. Reconhecer que a depressão pode ser altamente incapacitante e que requer tratamento é fundamental para ultrapassar esta barreira.
Diagnóstico da Depressão
O diagnóstico da depressão é clínico e deve ser realizado por um profissional de saúde com formação em saúde mental. O diagnóstico da depressão baseia-se na presença de um número de sintomas específicos durante um período mínimo de tempo, e no impacto desses sintomas no funcionamento da pessoa.
O diagnóstico de depressão requer que os sintomas presentes não sejam atribuídos a outras causas médicas, como hipotiroidismo ou doenças físicas que possam explicar o quadro clínico. Por isso, a avaliação médica pode ser necessária antes de confirmar o diagnóstico da depressão.
O diagnóstico diferencial entre tipos de depressão e entre depressão e outras perturbações mentais, como a perturbação bipolar, é importante para orientar o tratamento mais adequado.
Tratamento da Depressão
O tratamento da depressão é eficaz na maioria dos casos. As abordagens com maior evidência científica incluem a psicoterapia, a medicação antidepressiva e a combinação de ambas.
Psicoterapia
A psicoterapia, em particular a terapia cognitivo-comportamental, é um dos tratamentos da depressão com maior evidência científica. Através de consultas regulares com um psicólogo clínico, a pessoa aprende a identificar e modificar padrões de pensamento depressivos, a desenvolver estratégias de regulação emocional e a trabalhar os fatores que contribuem para a manutenção da depressão.
A psicoterapia é especialmente eficaz nos episódios depressivos de intensidade ligeira a moderada e na prevenção de recaídas em pessoas com episódios recorrentes. Para a depressão grave, a combinação de psicoterapia com medicação antidepressiva tende a ser a abordagem mais eficaz.
Medicação Antidepressiva
A medicação antidepressiva é prescrita pelo médico e está indicada sobretudo nos episódios depressivos de intensidade moderada a grave. Os antidepressivos atuam sobre neurotransmissores cerebrais e requerem algumas semanas para produzir efeito clínico. Não criam dependência, mas não devem ser interrompidos de forma abrupta sem indicação médica.
Prevenir a Depressão e Reduzir o Risco de Recaída
A psicoterapia tem também um papel importante em prevenir a depressão em pessoas com fatores de risco identificados, e em reduzir o risco de desenvolver novos episódios de depressão em quem já experienciou episódios anteriores. A capacidade de reconhecer os sinais precoces de um episódio depressivo e de ativar estratégias de resposta é uma competência central trabalhada em psicoterapia.
Como a Fala sem Fronteiras Pode Ajudar
Na Fala sem Fronteiras, as consultas de psicologia clínica para depressão são realizadas online, de qualquer parte de Portugal ou do estrangeiro. A psicoterapia permite trabalhar os sintomas da depressão, os fatores que contribuem para o seu desenvolvimento e as estratégias para prevenir a depressão no futuro.
A depressão pode ser altamente incapacitante, mas responde bem ao tratamento. Pedir ajuda não é fraqueza, é o passo mais eficaz que podes dar.
Se reconheces em ti alguns dos sintomas descritos neste artigo, não esperes que piore. O grau de recuperação é significativamente melhor quando a intervenção é precoce.
Para agendar a tua consulta: falasemfronteiras.eu
Se estás a ter pensamentos de suicídio ou autolesão, procura ajuda de imediato. Em Portugal, podes contactar o SOS Voz Amiga (213 544 545, disponível todos os dias das 16h às 24h) ou dirigir-te ao serviço de urgência mais próximo.
Fala sem Fronteiras é uma clínica de terapia da fala e psicologia clínica com consultas online para todo o país e visitas domiciliárias em Lisboa e Aveiro.
